Hospital do Juruá: o desafio de trabalhar com pouca estrutura, mas com força de vontade e superação da equipe

Hospital do Juruá: o desafio de trabalhar com pouca estrutura, mas com força de vontade e superação da equipe

Por Theobaldo Dantas

Após dois longos anos de especialidade em clínicas médicas, dedicados plantões em terapia intensiva no Huerb e Fundhacre, fomos convidados pelo então senador Tião Viana a enfrentar um grande desafio, abrir e fazer funcionar a UTI do Hospital Regional do Juruá. Aceitamos o desafio eu, minha esposa e as joias de nossa missão como pais duas filhas. Então, após a negociação com a gestora do hospital, mudamos para Cruzeiro do Sul, cidade com muitas ladeiras, centro se localiza na parte baixa da cidade às margens do Rio Juruá, acesso na época via aérea, no verão abria a BR-364.

Minha esposa médica assumiu a chefia da UTI e eu fiquei como plantonista e estruturando o CCIH. Hospital novo, tudo limpo, dava gosto de trabalhar. Como todo começo é difícil, treinamos toda equipe da UTI, Equipe do Pronto Socorro, inclusive médicos, ainda me lembro que usavam aminofilina para edema agudo de pulmão.

A equipe de todo o hospital, inclusive a RCP, uso de DVA, etc. Os desafios foram muitos, romper com o barrismo local, adotar e formatar na cabeça dos profissionais da saúde a nova filosofia de trabalho e a necessidade de estudarem e se atualizarem. Trabalhávamos mais na emergência clínica com pacientes graves que na UTI, infelizmente naquela época a maioria dos profissionais não sabiam intubar pacientes, não sabiam administrar drogas vasoativa e nem administrar uma sedação.

O doutor Laurence tinha um boneco hemicorpo, foi a grande cobaia. Todos daquela época treinaram no Chico (Nome dado ao boneco). O Hospital Regional do Juruá fica na parte alta da cidade, na Avenida 25 de Agosto, aproximadamente 5km do centro da cidade. Apesar das reclamações da população devido à distância, as pessoas se acostumaram e passaram a usar os serviços disponíveis.

No auge do Hospital do Juruá, com a evolução da crise econômica e o achatamento dos ganhos serviços que desapareceram neurocirurgia, pneumonia, mastologia, nesses 12 anos as empresas médicas tiveram unicamente um reajustes de 25%. Os valores pagos às empresas pela prestação de serviços médicos deixaram de ser atrativo e a perda sem reposição de especialistas aumentou, como também a rotação de médicos clínico gerais. Serviços foram suspensos pela falta de insumos, equipamentos danificados como consequência gerando prejuízos à população, acumulando as cirurgias eletivas.

A crise atacou forte, além de reduzirem os repasses contratuais, consequentemente os pagamentos atrasam. Médicos se movimentaram para receber o atrasado dos últimos 6 meses de 2018. As dívidas do hospital se acumularam, fornecedores deixaram de fornecer insumos, medicamentos e alimentos. A crise foi generalizada. Acredito que a população do vale do Juruá foi privilegiadas com vários serviços médicos, infelizmente alguns desapareceram, outros foram criados com a Clínica Renal. Entre aqueles que desapareceram o mais importante é o Serviço de Neurocirurgia, infelizmente morrem pessoas desassistida desse serviço. Ainda lembro de um jovem de 14 anos jogando bola caiu e sofreu um trauma crânio encefálico, todo os protocolos de ATENDIMENTO realizado, em curso protocolo de TFD foi negado, paciente não era cirúrgico, infelizmente aquele edema cerebral cresceu tanto que levou o jovem a morte, perdeu o time da realização de um procedimento cirúrgico, a cascata de acionar o TFD pode levar horas ou até 24 horas. A emergência neurológica não espera, a falta de médico transportador ou a falta da aeronave.
Em 2016, foi feito um levantamento de quantos foi gasto com TFD neurológico, algo em torno R$ 3,6 milhões. Infelizmente a desgraça de uns é a alegria de outros.

As promessas feitas pela atual gestão atual, ainda não saíram das promessas com relação ao serviços de neurocirurgia. Estão pagando em dia, repasse sem reajustes.

Mas as características, alteração de humor e dança das cadeiras, afetam todo o serviço de saúde do Estado. As incertezas, contratos com valores baixos, não atrai especialista para o Vale do Juruá.

Grandes são os problemas da maternidade e Hospital da Criança de Cruzeiro do Sul. As mulheres sofrem pela falta de ambulatórios e cirurgias ginecológicas. Mesmo com limitações e às custas de muito sofrimento humano foi estruturado uma CTI neonatal, depois de várias denúncias e o alto índice de mortes de bebês. Infelizmente não há serviço de pediatria no hospital pediátrico, apenas funciona uma UTI neonatal.

Sem dúvidas a atenção à saúde do Vale Juruá melhorou muito, serviços que o HRJ dispõe: cirurgia geral, ortopedia, gastroenterologia, infectologista, cardiologista, pediatria, terapia intensiva, pronto socorro, internações, serviços de imagem, RX, Tomografia, USG, além do laboratório terceirizado. Na maternidade, emergência obstétricas e ginecológica, internações, UTi neonatal.

Vale à pena frisar que antes não se sabia de que as pessoas morriam, muitas causas de mortes eram desconhecidas, atualmente há um serviço de verificação de óbito. E controle restrito sobre os atestados de óbitos. A saúde aínda há muito para melhorar.

Gina Menezes

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