Sindmed-AC e entidades médicas cobram abertura de unidades básicas para atendimento da Covid-19

Sindmed-AC e entidades médicas cobram abertura de unidades básicas para atendimento da Covid-19

A Diretoria do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) cobrou da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) a descentralização do atendimento dos casos de coronavírus (Covid-19) para as unidades básicas administradas pela Prefeitura de Rio Branco, na videoconferência realizada no final da manhã deste sábado (23). O debate contou com a participação do Ministério Público Estadual (MPE), Conselho Regional de Medicina (CRM), Associação dos Médicos do Acre (Amac), o representante da prefeita Socorro Neri, o médico Oswaldo Leal, e o responsável pelo telemonitoramento de saúde da Universidade Federal do Acre (Ufac), o médico Rodrigo Silveira.

A primeira-secretária, Jacqueline Fecury, cobrou ainda melhorias das condições de trabalho para os profissionais do interior, como treinamento e máscaras N95. Entre as demais demandas, ainda foi requerido mais equipamentos para o tratamento dos casos confirmados de coronavírus (Covid-19).

“Os médicos de Feijó voltaram a cobrar o curso de intubação, a disponibilidade de mais um fisioterapeuta, ainda reclamam da falta de acesso às máscaras N95, faltam medicamentos, além de terem dificuldades para regular pacientes para outras unidades. Cruzeiro do Sul também está sofrendo com o mesmo problema de regulação de pacientes”, detalhou a Jacqueline Fecury.

O secretário da Sesacre, Alysson Bestene afirmou que na quarta-feira parte das demandas serão atendidas com o envio de mais respiradores e de uma equipe para realizar o treinamento.

“Já recebemos 27 respiradores sendo, dez de UTI e 17 móveis. Cinco serão encaminhados para Cruzeiro do Sul, sendo quatro de UTI e um de transporte. Feijó e Tarauacá também receberão um respirador cada”, informou o gestor.

A secretária-adjunta da Sesacre, Paula Mariano, disse que a questão da dificuldade de regulação de pacientes será verificada e respondeu que todas as semanas são enviados equipamentos para os municípios.

O vice-presidente do Sindmed-AC, Guilherme Pulici, cobrou também a melhoria na regulação, alertando que um médico chega a perder quase toda manhã para encaminhar pacientes, prejudicando o atendimento de outras pessoas que ficam aguardando.

“Os colegas que atuam no interior são heróis, pois atendem todos os casos, e não podem perder tempo como perdem para a regulação de um paciente. A colega chega a perder uma manhã e ela não pode perder tempo porque precisa atender outros pacientes. Deixe a gestão regular a transferência”, reformou o sindicalista.

O presidente do Sindicato, Murilo Batista, cobrou da Prefeitura de Rio Branco a reabertura dos postos de saúde para atender todos os casos Covid-19, desafogando a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito, reduzindo a fila de espera e evitando que outras pessoas sejam contaminadas enquanto aguardam pela confirmação ou não do exame.

“É preciso descentralização para evitar a sobrecarga da UPA, e, para que as pessoas não sejam contaminadas, enquanto aguardam atendimento ou uma consulta. A atenção básica é essencial, evitando que haja a necessidade de respirador caso haja a utilização dos medicamentos na hora certa, reduzindo a quantidade de pessoas intubadas”, explicou o presidente do Sindmed-AC.

Jacqueline Fecury reforçou que os medicamentos têm mais eficiência nas fases iniciais, reduzindo o uso dos respiradores.

O promotor de Justiça Glaucio Shiroma Oshiro, responsável por fiscalizar a área da saúde, apontou para a necessidade de todos se unirem para a realização de campanhas informativas para toda a população, buscando alertar sobre os riscos do contágio da Covid-19.

A presidente do CRM, Leuda Dávalos, informou ter confirmado as denúncias realizadas pelo Sindicato durante visita.

“Fiz visita a UPA [do Segundo Distrito] e pude confirmar o que Jacqueline falou e que pude ver no noticiário, em que a médica falou que tem que escolher quem poderá ser intubado. É um clima de guerra”, protestou a representante do Conselho.

 Virgílio Prado, membro do CRM, que também realizou plantão na UPA, afirmou ter visto de perto as dificuldades em garantir o tratamento dos pacientes por falta de medicamentos.

“Na UPA, não trata paciente, espera eles agravarem, porque está faltando medicação. É preciso que o Into abra o ambulatório”, reclamou Virgílio Prado.

O representante da prefeita Socorro Neri e coordenador do Comitê Municipal de Enfrentamento à Pandemia da Covid-19, o médico Oswaldo Leal, elogiou a atuação das entidades médicas e pediu apoio na integração de todos para o combate do coronavírus.

O médico e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Rodrigo Silveira, defendeu também a abertura da atenção primária voltada para a Covid-19, “mas, também, deve ter o ambulatório do Into. As unidades também precisam funcionar integrada e com agilidade”.

Alysson finalizou a reunião afirmando que já realizou a contratação de 91 médicos e prometeu atender as demandas feitas pelas entidades nesta semana.

Freud Antunes

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