Sindmed-AC detecta diversas irregularidades em 5 unidades de saúde do Estado

Sindmed-AC detecta diversas irregularidades em 5 unidades de saúde do Estado

Um relatório elaborado pelo Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) identificou uma série de problemas em cinco unidades de saúde do Estado. O documento lista situações que vão da infraestrutura precária ao assédio moral contra profissionais da saúde.

As unidades vistoriadas, entre os dias 5 e 9 de novembro, foram: Unidades Mistas de Manoel Urbano e Rodrigues Alves; Hospital de Feijó; Hospital Abel Pinheiro Maciel Filho (Mâncio Lima); e Hospital da Mulher e da Criança do Juruá (Cruzeiro do Sul). O documento produzido foi enviado para a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), Conselho Regional de Medicina (CRM) e Ministério Público Estadual (MPE).

Segundo o levantamento, todas as unidades operam com estruturas improvisadas ou insuficientes para atender à demanda atual. O Sindicato também reforça que todas necessitam de intervenção urgente por parte do governo.

A falta de médicos foi detectada em Feijó, Rodrigues Alves e Mâncio Lima. Nesses mesmos municípios, as unidades também não dispõem de serviços de ultrassom. No laboratório de Feijó, o setor não é funcional; em Rodrigues Alves, inexiste espaço para a realização de exames; e em Mâncio Lima funciona de forma limitada.

A infraestrutura das unidades é outro ponto crítico – ainda que com características distintas em cada localidade. Em Manoel Urbano, os problemas envolvem poeira, infiltração e risco estrutural. Em Feijó, as unidades funcionam em estruturas temporárias e inadequadas. Em Rodrigues Alves, as salas de atendimento são poucas e não atendem às necessidades da população. Em Mâncio Lima, há falhas estruturais que afetam áreas internas e exigem intervenções imediatas. Já em Cruzeiro do Sul, a pediatria opera em área inadequada e o fluxo interno é desorganizado, o que compromete o atendimento.

A oferta de cirurgias também é insuficiente em três municípios: Feijó, Rodrigues Alves e Mâncio Lima. Ali, o transporte de pacientes apresenta falhas, principalmente na remoção por ambulância.

As condições sanitárias das áreas internas também variam, mas merecem atenção. Em Manoel Urbano, há infiltração e acúmulo de poeira. Em Feijó, o improviso da estrutura aumenta o risco sanitário. Em Mâncio Lima, há registro de mofo e retorno de esgoto. Em Rodrigues Alves, as áreas de uso são insuficientes e contribuem para a insalubridade. Apenas em Cruzeiro do Sul esse tipo de irregularidade não foi identificado.

Assédio moral a médicos em Feijó

O relatório do Sindimed-AC também identifica dois tipos de assédio moral. O primeiro é classificado pelo sindicato como “assédio moral institucional”, decorrente da sobrecarga imposta aos médicos. A carência de profissionais — especialmente no período noturno — tem levado plantonistas a assumirem demanda acima da capacidade segura de atendimento, o que, segundo a entidade sindical, expõe trabalhadores a risco e responsabilizações injustas.

O segundo tipo de assédio envolve o ambiente interno da unidade, descrito como hostil por alguns profissionais. Há relatos de episódios de coação, exposição pública, acusações sem direito ao contraditório e situações de difamação dentro do próprio ambiente de trabalho. Para o sindicato, esse clima compromete o exercício da atividade e agrava o desgaste emocional das equipes.

Outros problemas:

Unidade Mista de Manoel Urbano

Presença de pombos em áreas internas.

Água imprópria para consumo (risco de contaminação).

Poeira excessiva devido a obras e manutenção.

Necessidade de melhorias imediatas no abastecimento de água e na limpeza do forro.

Hospital de Feijó

Risco de contaminação cruzada devido ao improviso das estruturas.

Falta de climatização adequada em setores essenciais.

Falta de insumos básicos para atendimento.

Ambientes de acolhimento insuficientes.

Problemas de organização interna que impactam o fluxo de pacientes.

Unidade Mista de Rodrigues Alves

Ausência total de laboratório.

Ausência de profissionais especializados, sobretudo obstetras.

Fluxo interno estreito e risco de aglomeração.

Risco assistencial por superlotação em horários de pico.

Falta de UTI e de suporte avançado para casos graves.

Hospital Abel Pinheiro Maciel Filho – Mâncio Lima

Laboratório funcionando de forma restrita, com oferta limitada de exames.

Falta de climatização adequada em setores internos.

Falta de equipamentos necessários para procedimentos básicos.

Necessidade de reorganização das salas de atendimento.

Sinais de desgaste estrutural generalizado (detalhes não mencionados no texto principal).

Hospital da Mulher e da Criança do Juruá – Cruzeiro do Sul

Falta de isolamento adequado entre setores sensíveis.

Acolhimento pediátrico com limitações de espaço e privacidade.

Necessidade de criação de salas específicas para áreas de maior demanda.

Risco assistencial provocado pelo fluxo desordenado.