Sindmed-AC adere a campanha nacional por inclusão de pediatras nos postos de saúde

Sindmed-AC adere a campanha nacional por inclusão de pediatras nos postos de saúde

O Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) participou, no domingo, 30, de um ato no Lago do Amor, em Rio Branco, em apoio à mobilização nacional que reivindica a reinserção de pediatras nas unidades da Atenção Primária à Saúde (APS). A ação, promovida simultaneamente em todo o país pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e suas 27 representações estaduais, alerta para o déficit de especialistas na porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).

Embora a presença do pediatra na atenção básica não seja mais obrigatória, profissionais da área reforçam que esse atendimento é decisivo para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento de crianças e adolescentes, garantir diagnósticos precoces e orientar famílias. Para a categoria, a ausência desse especialista nas equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF), modelo que organiza a Atenção Primária no SUS, tem criado lacunas no cuidado infantil, aumentando o risco de internações evitáveis e atrasando intervenções essenciais.

No Acre, a mobilização reuniu profissionais de saúde e representantes da categoria para dialogar diretamente com famílias e divulgar materiais explicativos sobre a importância do pediatra na porta de entrada do SUS. A iniciativa marca o início de uma série de ações programadas para os próximos meses, voltadas a pressionar gestores e ampliar a discussão sobre o cuidado especializado na infância e adolescência.

Segundo a SBP, a campanha atual é resultado de uma série de fóruns regionais realizados em 2025, que reuniram pediatras das cinco regiões do país. Dessas discussões surgiu a Carta de Recife, documento que reforça a necessidade de reinserir entre dois mil e quatro mil pediatras no SUS para reorganizar o cuidado à infância e adolescência. A entidade lembra que o Brasil possui mais de 40 mil pediatras para 45 milhões de crianças e adolescentes, relação considerada adequada, mas mal distribuída.

O texto da Carta de Recife destaca que a falta de pediatras no primeiro contato com o sistema compromete a detecção precoce de agravos, dificulta o acompanhamento de crianças com condições crônicas e fragiliza a orientação às famílias. A SBP observa ainda que, em 2023, foram registradas 1,9 milhão de consultas de puericultura na rede pública, número inferior ao total de nascidos naquele ano (2,5 milhões), o que evidencia a baixa cobertura.

Trabalho que agrega

Para o presidente da SBP, dr. Edson Liberal, o pediatra soma ao trabalho das demais especialidades médicas, ampliando a qualidade do cuidado. Segundo ele, a formação do pediatra favorece a abordagem integral, a relação com famílias e a prevenção de agravos desde o início da vida. O objetivo da entidade é abrir diálogo com o poder público para garantir que esse atendimento volte a ser prioridade.

A entidade conclama famílias, gestores e profissionais de saúde a apoiarem a causa, defendendo que não é aceitável que parte majoritária das crianças brasileiras cresça sem acompanhamento pediátrico adequado na atenção primária.