Sindmed-AC verifica agravamento dos problemas encontrados na pediatria do Huerb

Sindmed-AC verifica agravamento dos problemas encontrados na pediatria do Huerb

Irregularidades foram denunciadas à Sesacre no início de maio

Com a morte de crianças no setor de pediatria do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), a Diretoria do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) voltou a realizar visita à unidade, constatando o agravamento dos problemas já relatados para a Secretaria de Estado da Saúde (Sesacre). No dia 2 maio, houve uma reunião com a gestão para alertar sobre irregularidades verificadas, incluindo problemas detectados no Hospital da Criança.

Segundo o presidente do Sindmed-AC, Guilherme Pulici, um relatório será encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE) para que os gestores sejam questionados sobre o motivo da falta de resolução dos problemas. Entre os problemas ainda consta a falta de mais de 80 tipos de medicação e materiais essenciais.

Entre as queixas estão a precarização da estrutura física da sala que abriga o setor de pediatria, de UTI de retaguarda, de medicamentos, de insumos hospitalares, além da necessidade de ampliação do quadro de pediatras.

O setor ainda sofre com a ausência de um fluxo para atendimento de pacientes, agravado pelo desrespeito com a classificação de risco, resultando no aumento do risco de contaminação de outros pacientes e de mortes de mais crianças.

“Apenas dois médicos se revezam na pediatria. O problema é que eles atendem todos os casos, desde os mais simples até os mais complexos. Os casos simples deveriam ser orientados para serem atendidos nas unidades básicas de saúde, mantendo apenas os casos que precisam de mais atenção e que podem evoluir para óbito”, afirmou Guilherme Pulici.

Para a diretora do Sindmed-AC, Kátia Ferrão, existe uma grande sobrecarga de trabalho pela falta de ampliação do quadro de profissionais, fazendo com que um único médico atenda o ambulatório, aumentado o risco de contaminação cruzada entre pacientes, ou seja, o pediatra pode se expor a micro-organismos infectantes em ambientes diferentes, potencializando o risco de contaminação para várias crianças. Houve ainda a redução da quantidade de leitos, saindo de 19 para oito, em decorrência de uma reforma que não se conclui há vários meses, fazendo com que as crianças se aglomerem em uma mesma sala por falta de leitos, aumentando o risco de contaminação por vírus que podem levar a mortes.

“O pediatra cumpre escala de trabalho em setor específico do hospital, realizando assistência nas mais diversas intercorrências, até mesmo nas mais simples que poderiam ser atendidas nas unidades básicas de saúde, com isso é formada uma fila imensa para apenas dois médicos plantonistas”, alertou a dirigente sindical.

Guilherme Pulici cobra há meses e reitera pedido para que a gestão da Sesacre seja compromissada, para que, urgentemente, realize todas as melhorias necessárias para evitar novas mortes de crianças.

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