Repouso precário aumenta a possibilidade de contaminação de médicos por Covid-19 no Huerb

Repouso precário aumenta a possibilidade de contaminação de médicos por Covid-19 no Huerb

Os diretores do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) flagraram o agravamento das condições de trabalho no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) com a precarização do setor de repouso para os servidores. Não existem camas suficientes, além do distanciamento entre as camas estar contrariando as recomendações sanitárias, sendo verificado que a distância chegava a 40 cm, na ala nova, e, na ala antiga, não há qualquer distanciamento, enquanto a orientação é de um espaçamento mínimo de um metro e meio entre as mobílias.

Segundo a primeira-secretária do Sindmed-AC, Jacqueline Fecury, a distribuição das camas não está de acordo com a recomendações preconizadas para o distanciamento, contribuindo para a possibilidade de contaminação por coronavírus (Covid-19). Os sindicalistas procuraram o gestor da unidade de saúde, Areski Peniche, mas, em plena pandemia, eles estão encerrando o expediente administrativo às 13h todas as sextas-feiras, como se não existissem demandas a serem tratadas.

“A administração está desrespeitando os profissionais. Na noite de quinta-feira (20), médicos foram obrigados a descansar no chão e no frio, o que configura uma total falta de respeito, tanto profissional quanto humana”, protestou Jacqueline Fecury.

De acordo com o vice-presidente, Guilherme Pulici, a visita realizada ao Huerb ainda constatou até a falta de banheiro nos repousos, de pia para a higienização das mãos e a falta de álcool em gel. Não há separação entre masculino e feminino, comprometendo a dignidade dos servidores.

“Sem a estrutura suficiente, o profissional fica mais exposto, podendo contaminar os próprios familiares, os pacientes e seus acompanhantes”, detalhou Guilherme Pulici.

O repouso é disponibilizado para os profissionais de saúde que realizam plantões para oferecer melhor qualidade no atendimento. O artigo 8º da Lei nº 3.999/61 prevê que a cada 90 minutos trabalhados o médico tem direito a 10 minutos de descanso, com isso, os profissionais preferem atender a maior quantidade de pessoas e acumular o tempo de descanso para lanchar, ir ao banheiro e repousar por alguns instantes para, depois, retomar o atendimento aos pacientes.

O Sindicato orienta que haja o intervalo de descanso garantir a melhor qualidade de vida dos trabalhadores, beneficiando paciente que passa a receber o atendimento de pessoas aptas a realizar as atividades, sem o comprometimento causado pela longa jornada de plantão de 12 horas ou 24 horas. O caso será levado ao governo do Estado e ao Ministério Público Estadual (MPE), cobrando punição aos gestores.

Freud Antunes

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